AÇÃO SOCIAL É CRIME ELEITORAL


Chega o ano de eleição e começa uma corrida contra o tempo para que os pré-candidatos comecem a mostrar o porque deveriam ganhar o apoio do eleitor, e por uma cultura criada erroneamente baseada em moeda de troca, caímos muitas vezes em motivações erradas.


Em um tempo não muito distante, a época de campanha era um momento de se obter alguma vantagem de troca, por mais inacreditável que seja, houve-se uma época que a compra de votos era tão normal e aberta quanto comprar um pão na padaria. Quem já não ouviu falar de que o eleitor ganhava um dos pares de chinelo antes eleição e se político ganhasse, ele dava o outro par.


Antigamente a moeda de troca por votos era muito disseminada entre os analfabetos e com menos condições financeiras, mas hoje infelizmente, mesmo com entendimento muitos ainda acabam trocando seu voto pelo mesmo par chinelo de antigamente, claro que hoje hoje, os políticos modernizaram, a moeda de troca mudou, mas o intuito de compra é o mesmo.


Há menos de 10 anos atras, os políticos em campanha, distribuíam vários brindes, quem nunca ganhou uma camiseta, um porta documentos, boné, canetas e etc.... Talvez para você que esteja lendo isto, este tipo de ação não fez tanta diferença, mas eu já vi muitos eleitores se sentirem tão "prestigiados pelo brinde" que já era motivo suficiente para o político arrematar o coração do eleitor, quer dizer, o voto.


Anos se passaram e a lei eleitoral foi entendendo o quanto esses "singelos agrados" influenciavam na comprar de votos e favoreciam alguns candidatos e foi endurecendo cada vez mais essa prática e aí os políticos, tiveram que se reinventar, eles se tornaram os embaixadores da boa vontade. Quem hoje não conhece um político, pré candidato que se diz o maior e melhor amigo do povo, fazendo inúmeras boas ações?


Apesar de ser proibido em época de pré campanha e campanha eleitoral, muitos candidatos estão usando de ações sociais para "comprar indiretamente" o voto do eleitor, quem não fica sensibilizado com uma doação, uma ajuda? E aí que mora o perigo, ações sociais, mesmo que sendo crime eleitoral nesta época, tem sido usada como moeda de troca, por até mesmo aqueles que se dizem renovação contra corrupção.


Eu sei que ações sociais ainda mais um momento como esse é importante, mas veja bem, nenhuma ação social qualifica qualquer indivíduo a ser um bom político. Não existe experiência alguma neste caso que o prepare para o trabalho legislativo, e precisamos separar essas ações do que realmente qualifica e prepara um político para ser um bom vereador ou prefeito da nossa cidade.


Vereador tem como dever legislar (fazer leis) e fiscalizar as ações da prefeitura, não tem autonomia para fazer ações sociais, distribuir bens ou favorecer ONGs e projetos sociais, nenhum candidato, e falo isso sem medo de errar que fazia ações sociais na pré campanha, pode favorecer depois ou ajudar, pelo menos legalmente e, existem inúmeros casos no Brasil de políticos que tiveram seus mandatos cassados por se favorecerem por esse tipo de ação.


Antes de perguntar à um pré-candidato o que ele já fez pela cidade, pergunte o que ele irá fazer como vereador, que tem funções específicas impossíveis de serem completamente realizadas por um cidadão comum, por isso nenhum trabalho social o qualifica para tal, além do que já falado acima, é crime eleitoral qualquer tipo de assistência que tenha valor econômico.


Em ano de eleição quem tem um trabalho social e já vem realizando, se quer se candidatar, ele deve parar imediatamente se não quiser sofrer processos e impugnações, entenda, ninguém é obrigado a parar de fazer a ação social a menos que queira ser político, o mínimo que se espera é que desde já respeitem as leis, começando pela lei eleitoral.


Você quer coisa que seja mais compra de voto do que distribuição de cestas básicas, higiene pessoal, máscaras em um ano de pandemia?


O grande e melhor meio de quem realmente quer fazer ações sociais e tem isso como propósito de vida, é não entrar na política, porque será impossível juridicamente conciliar as duas coisas. Fazer ações sociais sim é um ótimo meio de ajudar o próximo e ser mais humano, mas usar isso como moeda de troca em ano eleitoral é inaceitável.

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